14/12/2009

Rio-2016



A escolha da cidade do Rio de Janeiro para sede dos jogos olímpicos de 2016, em outubro deste ano, confirmou a conquista de uma posição de destaque que o Brasil vem obtendo no cenário internacional. Juntamente com a escolha do país para a sede da Copa do Mundo de Futebol de 2014, a nova conquista possui um forte caráter simbólico, na medida em que projeta uma possível concretização do sonho do “Brasil Potência” e o possível fim da condenação que se impôs ao seu povo – a de viver em um eterno “País do Futuro”.

Nota-se, na política internacional atual, uma certa tendência de abertura, de inclusão dos países do mundo periférico no palco das discussões fundamentais para a humanidade. O G-20, onde o Brasil é uma das lideranças mais importantes, substituiu o G-8 – que reunia apenas países centrais – como espaço para o debate de idéias em âmbito global. Projeta-se uma reforma do Conselho de Segurança da ONU na qual o Brasil parece ter vaga garantida como membro fixo. Junto à Rússia, Índia e China, o Brasil compõe o grupo BRIC, que reúne os principais países emergentes do planeta, aqueles que têm as melhores projeções de crescimento para o futuro próximo.

Essa abertura inclusiva tem se refletido nos principais eventos esportivos do planeta. Em 2008 os jogos olímpicos ocorreram na China. Em 2010 a Copa do Mundo será na África do Sul. E o Brasil atraiu a atenção internacional conquistando o direito de realizar a Copa do Mundo em 2014 e os Jogos Olímpicos em 2016, um intervalo de dois anos entre esses dois grandes eventos esportivos. Isso só ocorreu anteriormente com a antiga Alemanha Ocidental, que sediou os Jogos de Munique, em 1972, e a Copa do Mundo de 1974; e com os Estados Unidos, quando eles realizaram a Copa do Mundo de 1994 e os Jogos Olímpicos de Atlanta, em 1996.


Momentos como esse, em que os países se tornam o centro das atenções do mundo durante algumas semanas, costumam ser aproveitados por eles para exibir sua capacidade de organização e de realização. Trata-se de uma oportunidade para ir além. Para fazer algo que não só confirme o merecimento do prestígio revelado pela escolha bem como para fazer algo que impressione positivamente, que supere as mais elevadas expectativas.

No entanto, o desafio imposto pela escolha do Rio de Janeiro para sede dos Jogos Olímpicos de 2016, não abre margem para que o Brasil se perca em meio ao ufanismo fomentado pelas grandes conquistas. A experiência obtida nos Jogos Pan-Americanos de 2007, em que várias obras atrasaram, entrando em caráter de urgência – o que enfraquece o rigor das licitações de obras – nos mostra que há muito trabalho a ser feito para que os Jogos possam ser realizados a contento. Um exemplo: o Estádio Olímpico João Havelange – conhecido como Engenhão – com capacidade para 47 mil pessoas, orçado inicialmente em 60 milhões de reais, custou, no final, 380 milhões de reais.

O projeto que impressionou o Comitê Olímpico Internacional e resultou na escolha do Rio de Janeiro tende a deixar heranças positivas e negativas para o espaço interno da cidade do Rio de Janeiro. Ele baseia-se na construção, na adaptação e na modernização de equipamentos esportivos em quatro áreas especiais da cidade: a Barra da Tijuca, a Zona Sul, o Complexo do Maracanã e Deodoro, no subúrbio.

De maneira direta, podemos afirmar que essas estruturas serão herdadas pela cidade tornando o Rio de Janeiro uma cidade preparada para receber os mais diversos eventos esportivos em quase todas as modalidades após os jogos. O que poderá atrair pessoas; reforçar o turismo; e aumentar a circulação de capitais e a oferta de empregos temporários na cidade, além de outras vantagens. Há ainda a possibilidade de uso dessas estruturas pela população, o que daria um viés social positivo ao trabalho. Comparando com o “legado do Pan”, vemos o uso freqüente do Engenhão – estádio que foi arrendado pelo Clube Botafogo de Futebol e Regatas – mas vemos, também a subutilização do parque aquático Maria Lenk e do velódromo construído para receber as competições de ciclismo de pista e patinação de velocidade. Exemplos positivos e negativos herdados do Pan.


O projeto para os Jogos Rio 2016 prevê que aproximadamente 50% das competições serão realizadas na Barra da Tijuca, área que deverá receber o maior volume de investimentos. Vila Olímpica, centro de mídia, e novas instalações – além das que já existem no Complexo Esportivo Cidade dos Esportes, que fica no Autódromo Nelson Piquet – devem ser construídas na região da Barra. O conjunto de investimentos, da Barra e das outras áreas, deve produzir uma valorização ainda maior do que a que já existe no espaço urbano da cidade.

O preço dos imóveis, para construção, aluguel e venda, deve aumentar significativamente. Uma vantagem para quem obtém renda através dessas atividades e uma desvantagem para quem não tem moradia própria. Esse encarecimento tende a ampliar a segregação sócio-espacial na cidade. A parcela da população que possui menor renda deve ser “empurrada” pelos preços para as áreas mais baratas – que em geral são muito distantes dos centros e sub-centros dinâmicos onde há mais empregos. Para reduzir tempo e custos de deslocamento, muitos se submeterão às habitações sub-normais, ilegais, que no Rio de Janeiro se manifestam principalmente através da formação de favelas. Ou seja, os Jogos Olímpicos de 2016 podem contribuir para o surgimento de favelas na cidade, como reflexo da valorização do espaço e da restrição do acesso a esse espaço aos habitantes mais pobres.

26/10/2009

Meu Pai

Pai, trata-se de uma homenagem a você, mas para que todos possam refletir:

Queda Prohibido!

Queda prohibido llorar sin aprender,
levantarte un día sin saber que hacer,
tener miedo a tus recuerdos.

Queda prohibido no sonreír a los problemas,
no luchar por lo que quieres, abandonarlo todo por miedo,
no convertir en realidad tus sueños.

Queda prohibido no demostrar tu amor,
hacer que alguien pague tus deudas y el mal humor.

Queda prohibido dejar a tus amigos,
no intentar comprender lo que vivieron juntos,
llamarles solo cuando los necesitas.

Queda prohibido no ser tú ante la gente,
fingir ante las personas que no te importan,
hacerte el gracioso con tal de que te recuerden,
olvidar a toda la gente que te quiere.

Queda prohibido no hacer las cosas por ti mismo,
no hacer tu destino,
tener miedo a la vida y a sus compromisos,
no vivir cada día como si fuera un ultimo suspiro.

Queda prohibido echar a alguien de menos sin
alegrarte, olvidar sus ojos, su risa,
todo porque sus caminos han dejado de abrazarse,
olvidar su pasado y pagarlo con su presente.

Queda prohibido no intentar comprender a las personas,
pensar que sus vidas valen mas que la tuya, n
o saber que cada uno tiene su camino y su dicha.

Queda prohibido no crear tu historia,
tener un momento para la gente que te necesita,
no comprender que lo que la vida te da, también te lo quita.

Queda prohibido no buscar tu felicidad,
no vivir tu vida con una actitud positiva,
no pensar en que podemos ser mejores,
no sentir que sin ti este mundo no sería igual.
Pablo Neruda
Tradução:

FICA COMBINADO QUE É PROIBIDO
CHORAR SEM APRENDER,
LEVANTAR-SE UM DIA SEM SABER O QUE FAZER,
TER MEDO DE SUAS RECORDAÇÕES. . .

FICA COMBINADO QUE É PROIBIDO NÃO SORRIR AOS PROBLEMAS,
NÃO LUTAR PELOS QUE QUEREM, ABANDONAR A TUDO POR MEDO,
NÃO CONVERTER EM REALIDADE TEUS SONHOS. . .

FICA COMBINADO QUE É PROIBIDO
NÃO TENTAR COMPREENDER AS PESSOAS,
PENSAR QUE SUAS VIDAS SÃO MENOS VALIOSAS QUE A SUA,
NÃO SABER QUE CADA UM TEM SEU CAMINHO E SUA FELICIDADE. . .

FICA COMBINADO QUE É PROIBIDO NÃO CRIAR A TUA PRÓPRIA HISTÓRIA,
NÃO TER TEMPO PARA AS PESSOAS QUE NECESSITAM DE TI,
NÃO COMPREENDER QUE O QUE A VIDA TE DÁ, TAMBÉM TE TIRA. . .

FICA COMBINADO QUE É PROIBIDO,NÃO BUSCAR A TUA FELICIDADE,
NÃO VIVER A TUA VIDA COM UMA ATITUDE POSITIVA,
NÃO PENSAR QUE PODEMOS SER MELHORES,
NÃO SENTIR QUE SEM TI, ESTE MUNDO NÃO SERIA IGUAL. . .
Pablo Neruda

28/09/2009

O Investimento na Educação

De férias, tive a oportunidade de conhecer um pouco mais o Velho Continente, a Europa. Conversando com o povo local, frequentando e observando sua rotina diária, verifiquei que o estilo de vida deles é “faça o que é certo, que todos lucrarão com isso”.


Essa frase, que revela um comportamento que vivi e presenciei em vários países, tem como alicerce principal o investimento feito na educação do povo. É lógico que, por outro lado, toda a população sabe que as sanções e as multas para as pessoas não cumpridoras do ato correto é bem alta, sem que haja algum risco de haver impunidade (grande característica nossa), o que também colabora para que todos se comportem corretamente.

Vejamos algumas situações:

- Metrô

Em várias cidades de diferentes países não havia qualquer controle de entrada ou saída. Você compra seu ticket na máquina, passa-o em uma leitora de barras e vai em direção ao vagão. Não há nem roleta... Em que locais isso existe? Lisboa e Atenas, por exemplo.



Em Paris, Londres e Roma, a diferença existe apenas na roleta.

Isso é possível no Brasil? Alguém consegue imaginar uma situação dessas em qualquer cidade do nosso país? Sei que não, mas esse é um ponto para meditarmos: vários turistas brasileiros respeitam a forma correta desse transporte público.

- Praias

A valorização da limpeza e a ênfase nela são impressionantes. Além das ruas limpas, destaco a areia das praias.

Como é a areia de nossas praias após um dia de verão? Imunda! Cheia de lixo.

Isso é inconcebível na Europa. No final de um dia de praia em pleno verão, as areias estão limpíssimas. Até guimbas de cigarro não são jogadas na areia. Eles levam um saco plástico para armazenar todo este material.


- Trânsito

A educação no trânsito é fantástica. É inconcebível avançar sinais, andar nos acostamentos, andar na faixa da esquerda em uma estrada.



Por último, cito o exemplo de um estacionamento que usei em Inverness, Escócia. Ao entrar, não havia nenhuma cancela. Sem nenhuma pessoa para controlar esse estacionamento, que é um prédio garagem, peguei o meu ticket em uma máquina. Ao sair, também não se encontra nenhuma cancela. Aliás, para pagarmos, temos apenas de levar o cartão até uma máquina, informar a hora certa de saída e efetuar o pagamento, mesmo sem a presença de representantes do estabelecimento.

Esses poucos exemplos colocados mostram a diferença de cultura e hábitos em relação ao nosso país. Quando os analisamos, chegamos imediatamente à conclusão de serem impossíveis de serem alcançados. Será mesmo?

Por que no metrô temos uma limpeza e uma organização de primeiro mundo? Simplesmente pela educação e pela cobrança imposta diariamente.

Esta é a nossa saída.

Lutar para que cada vez mais haja um investimento maciço em valores e educação, pois tudo isso terá consequências altamente recompensadoras.

Minha Avó

Queria compartilhar com vocês um poema que minha avó sempre lia pra mim, quando pequeno. Com a palavra, Cora Coralina:

Saber Viver

Não sei... Se a vida é curta
Ou longa demais pra nós,
Mas sei que nada do que vivemos
Tem sentido, se não tocamos o coração das pessoas.

Muitas vezes basta ser:
Colo que acolhe,
Braço que envolve,
Palavra que conforta,
Silêncio que respeita,
Alegria que contagia,
Lágrima que corre,
Olhar que acaricia,
Desejo que sacia,
Amor que promove.

E isso não é coisa de outro mundo,
É o que dá sentido à vida.
É o que faz com que ela
Não seja nem curta,
Nem longa demais,
Mas que seja intensa,
Verdadeira, pura... Enquanto durar.
(Cora Coralina)

17/07/2009

O Pi e o Phi

Todos nós já ouvimos falar em número pi.

É o irracional mais famoso da história, com o qual se representa a razão constante entre o perímetro de qualquer circunferência e o seu diâmetro (equivale a 3.14159... e é aproximado como 3,14 ).
Quando li o livro O Código da Vinci, notei a referência feita ao número phi e resolvi pesquisar esse número de forma detalhada.

O número phi corresponde a 1,618. O número phi (letra grega que se pronuncia "fi"), apesar de não ser tão conhecido, tem um significado muito mais interessante.

Durante anos o homem procurou a beleza perfeita, a proporção ideal. Os gregos criaram então o retângulo de ouro. Era um retângulo, no qual o lado maior era dividido pelo lado menor, e a partir dessa proporção tudo era construído.

Assim eles fizeram o Parthenon... a proporção do retângulo que forma a face central e lateral. A profundidade dividida pelo comprimento ou altura, tudo seguia uma proporção ideal de 1,618.

Os Egípcios fizeram o mesmo com as pirâmides: cada pedra era 1,618 menor do que a pedra de baixo, a de baixo era 1,618 maior que a de cima, que era 1,618 maior que a da terceira fileira e assim por diante.

Durante milênios, a arquitetura clássica grega prevaleceu. O retângulo de ouro era padrão, mas depois de muito tempo veio a construção gótica com formas arredondadas que não utilizavam o retângulo de ouro grego.

Em 1200 Leonardo Fibonacci, um matemático que estudava o crescimento das populações de coelhos, criou aquela que é provavelmente a mais famosa sequência matemática, a Série de Fibonacci. A partir de 2 coelhos, Fibonacci foi contando como eles aumentavam a partir da reprodução de várias gerações, e chegou a uma sequência em que um número é igual a soma dos dois números anteriores:

1 1 2 3 5 8 13 21 34 55 89...

1
1+1=2
2+1=3
3+2=5
5+3=8
8+5=13
13+8=21
21+13=34

E assim por diante...


Agora vejam as coincidências da nossa vida com a matemática :

A primeira "coincidência": a proporção de crescimento média da série é...1,618. Os números variam, um pouco acima às vezes, um pouco abaixo, mas a média é 1,618, exatamente a proporção das pirâmides do Egito e do retângulo de ouro dos gregos. Então, essa descoberta de Fibonacci abriu uma nova idéia de tal proporção que os cientistas começaram a estudar a natureza em termos matemáticos e começaram a descobrir coisas fantásticas.

-A proporção de abelhas fêmeas em comparação com abelhas machos numa colmeia é de 1,618;

-A proporção que aumenta o tamanho das espirais de um caracol é de 1,618;

-A proporção em que aumenta o diâmetro das espirais das sementes de um girassol é de 1,618;

- A proporção em que se diminuem as folhas de uma árvore a medida que subimos de altura é de 1,618;

E não só na Terra encontra-se tal proporção.

Nas galáxias, as estrelas se distribuem em torno de um astro principal numa espiral obedecendo a proporção de 1,618; também por isso, o número phi ficou conhecido como A DIVINA PROPORÇÃO.

Por volta de 1500, com o Renascentismo, a cultura clássica voltou à moda... Michelangelo e, principalmente, Leonardo da Vinci, colocaram esta proporção natural em suas obras.

Mas Da Vinci foi ainda mais longe; ele, como cientista, pegava cadáveres para medir a proporção do seu corpo e descobriu que nenhuma outra coisa obedece tanto à DIVINA PROPORÇÃO do que o corpo humano...

Por exemplo:

- meça sua altura e depois divida pela altura do seu umbigo até o chão; o resultado é 1,618.

- meça seu braço inteiro e depois divida pelo tamanho do seu cotovelo até o dedo; o resultado é 1,618.

- meça seus dedos, ele inteiro dividido pela dobra central até a ponta ou da dobra central até a ponta dividido pela segunda dobra. O resultado é 1,618;

- meça sua perna inteira e divida pelo tamanho do seu joelho até o chão. O resultado é 1,618;

-A altura do seu crânio dividido pelo tamanho da sua mandíbula até o alto da cabeça. O resultado 1,618;

- Da sua cintura até a cabeça e depois só o tórax. O resultado é 1,618;


É importante enfatizar que devem ser levados em conta erros paralaxes, ou seja, erros de medida da régua ou fita métrica que não são objetos acurados de medição.

Tudo, cada osso do corpo humano é regido pela Divina Proporção.

Coelhos, abelhas, caramujos, constelações, girassóis, árvores, arte e o homem; São coisas teoricamente diferentes, todas ligadas numa proporção em comum.

Será tudo isso uma coincidência?

Os Nossos Sonhos

Quantas vezes julgamos uma pessoa pela sua simples aparência, sem dar oportunidades de ela poder mostrar toda a sua capacidade ?

Uma dessas situações que gostaria de comentar aqui é o caso bastante conhecido de Susan Boyle. Ela me foi apresentada numa das aulas do MBA de Comportamento Organizacional. Para quem não sabe de sua história, eis um resumo:

Susan é escocesa. Tem 47 anos. Desempregada. Solteira. Cuidou de mãe moribunda até 2007. Vive com um gato. Frequenta a igreja fazendo parte do coral.

O aspecto não é promissor. Simplória. Aldeã. Mas com demasiados sonhos na cabeça.

Quando entrou no palco do programa “Britain’s Got Talent”, mais um desses shows de TV para revelar talentos musicais anônimos, a plateia riu com seus modos um pouco grosseiros.

Um dos membros do júri, em pose condescendente, começou as hostilidades com um “What’s your name, darling?”, e “darling”, no presente contexto, é de um paternalismo arrepiante. Susan Boyle respondeu o nome e, depois, o nome da pessoa que ela gostaria de ser na música: Elaine Paige. Nem mais. A diva dos musicais londrinos que já trabalhou com toda a gente que é gente. Risos mil.

Então soltaram a música. A audiência e o júri prepararam-se para o pior. E o pior veio, mas não exatamente como eles esperavam.

Susan Boyle cantava. Bem. Demais. A música, “I Dreamed a Dream”, tema do musical “Les Misérables”, era agora servida por capacidade vocal impressionante. Mas não apenas por capacidade vocal impressionante. A interpretação de Susan Boyle conferia à canção uma intensidade que fez desabar o teatro em choros e aplausos. De Londres a Nova York, passando pelos milhões de internautas no YouTube, Susan Boyle é apresentada como a nova Elaine Paige.

Susan Boyle é um caso de talento natural evidente. Mas o que verdadeiramente me impressionou em toda essa história não foram apenas os dotes naturais daquela voz. Também não foi o gritante abismo entre a forma e o conteúdo – ou, se preferirem, o clichê romântico do patinho feio que se revela um cisne. O que impressionou foi a escolha da canção e as palavras que a canção encerra, um pormenor que parece ter sido ignorado pela humanidade circundante.
“I Dreamed a Dream”, uma das raras canções audíveis de “Les Misérables”, não é apenas um tema sobre sonhos desfeitos. É um tema sobre a “Sorte”, palavra que, numa aula de filosofia, aprendi que os gregos conheciam bem.

De acordo com a ideologia reinante, o que somos, o que temos e o que fazemos depende unicamente de nós. A felicidade humana é uma construção pessoal que exige método e esforço. Isso implica, inversamente, que a infelicidade é o resultado da nossa incapacidade para sermos felizes. Haverá pensamento mais perverso?

Não creio. E, no entanto, ele é repetido, dia após dia, numa sociedade que se sente infeliz por não ser feliz, como se a felicidade não fosse também um produto de contingências várias, que escapam ao controle dos homens. O produto, no fundo, de oportunidades que vieram ou não vieram; da ação ou da inação de terceiros; e das mil vidas que poderíamos ter tido.
Como no tema musical que Susan Boyle canta com a intensidade própria de quem explica a sua biografia, os nossos sonhos não dependem só da nossa autonomia.

Dependem dos “tigres da noite” ou das “tempestades imprevistas” que tantas vezes os envergonham e despedaçam.

Quando a febre passar e Susan Boyle regressar à aldeia e ao anonimato, a memória que deve ficar não é a de um talento escondido que teve os seus 15 minutos, ou 15 horas, ou 15 dias de fama.

O que deve ficar é a lição grandiosa de uma mulher que, na sua tocante simplicidade, disse que ia cantar o que provavelmente aprendeu com a vida. Que o inferno ou o paraíso, longe de serem prêmios exclusivamente humanos, repousam também nas mãos do destino.

Quem ainda não teve a oportunidade de ver essa apresentação maravilhosa ou quem desejaria revê-la, clique aqui.

Dirran

Jogava o Atlético Potengi contra o Potyguar, no Machadão, pelo Campeonato do Rio Grande do Norte, e um jogador atleticano se destacava fazendo dribles desconcertantes, lançamentos perfeitos e marcando gols.
E o "speaker" da Rádio Poti se esgoelava:
— Dirran é craque! Dirran é a grande revelação norte-riograndense...
Diante do estardalhaço, um jovem e intrépido repórter da Rádio Poti decidiu entrevistar Dirram, na saída do gramado:
— Você tem parentes na França? Esse seu nome é de descendência francesa?
E o jogador, rindo com a inocência do foca:
— Não, meu filho, meu apelido é C... de Rã, mas, como não podem falar isso
no rádio, eles abreviam... Pano rapidíssimo!
(Fonte: jornal O Globo)

O curso "The Book is on the Table"

O Brasil sediará a Copa de 2014.
Como muitos turistas de todo mundo estarão por aqui, é imprescindível o aprendizado de outros idiomas (em particular, o inglês) para a melhor comunicação com eles.
Pensando em auxiliar no aprendizado, foi formulada uma solução prática e rápida! Chegou o sensacional e insuperável curso "The Book is on the Table", com muitas palavras que você usará durante a Copa do Mundo de 2014. Veja como é fácil!
a) Is we in the tape! = É nóis na fita.
b) Tea with me that I book your face = Chá comigo que eu livro sua cara.
c) I am more I. = Eu sou mais eu.
d) Do you want a good-good? = Você quer um bom-bom?
e) Not even come that it doesn't have! = Nem vem que não tem!
f) She is full of nine o'clock. = Ela é cheia de nove horas.
g) I am completely bald of knowing it = Tô careca de saber.
h) Ooh! I burned my movie! = Oh! Queimei meu filme!
i) I will wash the mare. = Vou lavar a égua.
j) Go catch little coconuts! = Vai catar coquinho!
k) If you run, the beast catches, if you stay the beast eats! = Se correr, o bicho pega, se ficar o bicho come!
l) Before afternoon than never. = Antes tarde do que nunca.
m) Take out the little horse from the rain = Tire o cavalinho da chuva.
n) The cow went to the swamp. = A vaca foi pro brejo!
o) To give one of John the Armless. = Dar uma de João-sem-Braço.
Gostou? Quer ser poliglota?
Na compra do 'The Book is on the table' você ganha inteiramente grátis o incrível "The Book is on the table - World version"!
Outras línguas:
CHINÊS
a) Cabelo sujo = chin-champu
b)Descalço = chin chinela
c) Top less = chin-chu-tian
d) Náufrago = chin-chu-lancha
f) Pobre = chen luz, chen agua e chen gaz
JAPONÊS
a) Adivinhador = komosabe
b) Bicicleta = kasimoto
c) Fim = saka-bo
d) Fraco = yono komo
e) Me roubaram a moto = yonovejo m'yamaha
f) Meia volta = kasigiro
g) Se foi = non-ta
h) Ainda tenho sede = kiro maisagua
OUTRAS EM INGLÊS:
a) Banheira giratória = Tina Turner
b) Indivíduo de bom autocontrole = Auto stop
c) Copie bem = copyright
d) Talco para caminhar = walkie talkie
RUSSO
a) Conjunto de árvores = boshke
b) Inseto = moshka
c) Cão comendo donut's = Troski maska roska
d) Piloto = simecaio patatof
e) Prostituta = Lewinsky
f) Sogra = storvo
ALEMÃO
a) Abrir a porta = destranken
b) Bombardeio = bombascaen
c) Chuva = gotascaen
d) Vaso = frask
(FONTE – jornal ZERO HORA)

O Gordo e o Magro

Num assassinato, os suspeitos foram o Gordo e o Magro. O culpado foi o Magro. Por quê? Porque o que não mata engorda!

(Fonte: jornal O Estado de São Paulo)

01/07/2009

Dormir para Aprender

Introdução

Convivendo muitos anos com crianças e adolescentes, pude perceber que o gerenciamento do sono é uma das suas maiores dificuldades. Dormir tarde, “virar noites” e trocar o dia pela noite são hábitos comuns que dificultam muito o aprendizado deles.

Aproveitando entrevistas com profissionais da área e artigos lançados, mostro abaixo que a ciência enfatiza que o sono é essencial à consolidação da memória e ao desempenho intelectual.


Os estudos

A medicina está conseguindo agora, em primeiro lugar, explicar a origem físico-química desse efeito. Mas, principalmente, as pesquisas atuais ajudam a estabelecer um cronograma das horas do dia nas quais a pessoa estará mais apta a aprender. Esse cronograma, claro, depende de como a noite anterior foi aproveitada. Em segundo lugar, está ficando cada vez mais nítido o processo pelo qual o cérebro humano seleciona e armazena as milhares de informações adquiridas durante o dia. Isso se dá durante o sono. Cada etapa do sono é usada pelo cérebro para estocar determinado tipo de informação. As musicais são gravadas logo nos primeiros minutos. Aquelas ligadas ao pensamento lógico e matemático são registradas durante as etapas finais dos ciclos do sono, marcadas pela movimentação veloz dos olhos sob as pálpebras e permeadas de sonhos. Essa é a chamada fase REM, a sigla em inglês para rapid eye movement.

Vários estudos mostram os danos à memória provocados por uma noite mal dormida e como tudo melhora depois de um bom período de descanso. Um grupo de pesquisadores da Universidade Harvard, nos Estados Unidos, traduziu essa situação em números. O estudo de Harvard, apresentado no último congresso da Academia Americana de Neurologia, é o mais abrangente sobre o assunto já feito com voluntários. Eles foram monitorados ao longo de seis meses. Ao cabo de oito horas seguidas de sono, os voluntários da pesquisa de Harvard lembravam, em média, 44% mais fatos aprendidos no dia anterior em comparação com aqueles privados de sono.

Abaixo, mostro um quadro comparativo da rotina de duas pessoas: uma que dorme 8h e outra que só dorme 5h. Clique nele para aumentá-lo, se preferir!


Informações privilegiadas

Ao investigarem a memória durante o sono, os especialistas obtiveram ainda respostas sobre o processo de seleção de informações que ocorre quando o cérebro está em estado de repouso noturno. Trava-se ali uma competição frenética entre as informações assimiladas. Qual o critério de decisão para separar as informações valiosas o suficiente para serem guardadas daquelas descartáveis? A neurociência hoje pode responder com certeza a essa questão. A resposta é surpreendente. As informações absorvidas quando a pessoa está sob algum tipo de emoção forte são justamente aquelas aptas a conquistar, durante a noite, um lugar definitivo no cérebro. Por essa razão, as pessoas tendem a se lembrar em profusão de detalhes dos mais lindos momentos da vida, mas também dos mais desagradáveis. A emoção é a chave de entrada das informações no neocórtex. Quando em excesso, a emoção pode ter efeito diametralmente oposto. Razão pela qual as pessoas não se recordam de instantes finais de acidentes ou mesmo reprimem incoscientemente as lembranças de fatos aterrorizantes.

Dormir para aprender

Esse conjunto de conclusões sobre o sono derruba definitivamente a velha - e equivocada - teoria segundo a qual sua exclusiva contribuição ao aprendizado seria a de proporcionar ao cérebro um momento de descanso, ao protegê-lo das influências externas. Com o ocaso da antiga teoria, surge uma nova, a da “inatividade” noturna como vital para o armazenamento das informações acumuladas no decorrer do dia.

Por meio de pesquisas, percebem-se os períodos mais indicados ao trabalho mental.

São dois, principalmente. Um deles, o da parte da manhã, ocorre mais ou menos duas horas depois do despertar. Nesse momento, o corpo libera uma quantidade maior de hormônios estimuladores dos neurônios. O cérebro chega, então, ao auge de sua atividade - e permanece assim por mais quatro horas. Uma das descobertas mais recentes, feita por um grupo de pesquisadores da Universidade de Buenos Aires, na Argentina, flagrou situação igualmente positiva cerca de doze horas depois do despertar, quando ocorre no cérebro a produção acelerada de um tipo de proteína cuja concentração estimula as conexões entre os neurônios. Foi possível observar justamente nesse momento - e nas três horas seguintes a ele - uma espécie de replay das informações aprendidas ao longo do dia, fenômeno batizado de “reverberação” pelos cientistas. Afirma um dos autores do trabalho, o neurocientista Iván Izquierdo, argentino radicado no Brasil: “Esse momento de replay é a hora mais favorável para fazer uma revisão de matéria aprendida em outros momentos do dia”.

O Sono e a Memória

Abaixo mostro as cinco fases do sono relacionadas à nossa memória. Além do aprendizado, também a memória motora e a espacial se consolidam à noite, cada qual numa fase do sono. Mais uma vez, clique na imagem, se quiser aumentá-la:



Certos hábitos noturnos também têm influência - positiva ou negativa - sobre o aprendizado, e os cientistas já sabem como explicar isso. Para 90% das pessoas, o repouso ideal tem a duração de oito horas. É o tempo necessário para concluir cinco ciclos de sono - um padrão favorável tanto ao descanso como à memória. Há quem alcance o mesmo efeito antes disso, mas é uma minoria. Ainda segundo as pesquisas, o melhor sono para o aprendizado se encerra por volta das 6 da manhã. Por duas razões. Primeiro, porque o corpo está biologicamente “programado” para o repouso até essa hora. O segundo motivo: quem acorda mais cedo consegue aproveitar todos os picos de aprendizado. Quem sai da cama por volta das 8 da manhã tem o período favorável à atividade intelectual reduzido em 20%. Há um certo consenso sobre a impossibilidade de compensar mais tarde o tempo de atividade máxima perdido pela manhã. Por volta das 9 da noite, o corpo começa a liberar hormônios indutores do sono e os neurônios de novo se preparam para as funções noturnas. Diz John Fontenele Araujo, do laboratório de cronobiologia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte: “Estudo depois dessa hora é sempre menos produtivo”.

As crianças precisam de mais tempo para armazenar na memória a vasta quantidade de informações ao longo do dia e para produzir hormônios de crescimento. Dos 5 aos 12 anos, deve-se dormir em média 10 horas seguidas.

Solução no sono

Quando fiz vestibular me lembro de uma situação inusitada. Antes de dormir estava estudando matemática e não conseguia resolver um determinado problema. Fui dormir e, quando acordei, tinha a solução.

Essa situação se encaixa no estudo abaixo feito na Universidade Harvard.

Ele mostra os neurônios durante o sono fazendo conexões entre informações aparentemente díspares ou adquiridas em situações diferentes. “Isso explica o fato de muita gente acordar com a sensação de ter tido uma brilhante ideia enquanto dormia”, disse o neurocientista Robert Stickgold, coordenador da pesquisa. Muitas foram as soluções arquitetadas durante a noite por sábios da história. O químico russo Dmitri Mendeleiev (1834-1907) teve o clique decisivo para criar a tabela periódica dos elementos durante o sono. O canadense Frederick Banting (1891-1941), um dos agraciados com o Prêmio Nobel pela descoberta da insulina na década de 20, contou ter sonhado com a solução. O caso mais intrigante é o do alemão Friedrick Kekulé (1829-1896). Debruçado sobre os mistérios da química orgânica, ele saiu-se com a estrutura da molécula de benzeno depois de sonhar com a forma arredondada de uma cobra devorando a si mesma. À luz das novas descobertas, talvez não seja assim tão inútil passar um terço da vida dormindo.

O Sono dos gênios

A ciência do sono nem sequer existia quando alguns dos maiores gênios da história já intuíam que, de algum modo, o repouso tinha papel fundamental em seus inesgotáveis processos criativos. Cada um adotou uma rotina de descanso própria, por vezes excêntrica, em busca do sono perfeito. Três exemplos:


LEONARDO DA VINCI
(1452-1519)

O pintor da Mona Lisa e idealizador do princípio do voo do helicóptero perseguia o descanso da mente com uma rotina incomum: trocava o sono noturno por cochilos de quinze minutos a cada duas horas.



THOMAS A. EDISON
(1847-1931)


O inventor da lâmpada mantinha um diário onde avaliava a qualidade do sono na noite anterior. Não queria perder tempo. Não passava mais de três horas na cama.



ALBERT EINSTEIN
(1879-1955)

Ele "hibernava" dez horas seguidas todas as noites, exceto quando estava às voltas com uma nova ideia. Nessas ocasiões, premiava-se com uma hora extra na cama.

Quando o remédio é dormir

As pesquisas sobre os efeitos das mudanças de hábito noturno já têm aplicação terapêutica em diversos casos.

Problema: falta de concentração.
Quando é mais frequente: na infância.
Como o sono pode ajudar: a mais abrangente pesquisa sobre o assunto, conduzida pelo Hospital Sacré Coeur, do Canadá, concluiu que o hábito de dormir dez horas seguidas reduz em 40% o risco de uma criança apresentar problemas de concentração. Para aquelas com dificuldade em dormir tanto, o estudo indica uma hora de atividades físicas diárias - cientificamente reconhecidas como um ótimo estimulante do sono infantil.

Problema: dificuldade em resolver questões que envolvem raciocínio lógico.
Quando é mais frequente: na adolescência.
Como o sono pode ajudar: promove um necessário momento de descanso aos neurônios. Um estudo da Universidade Harvard mostra que, quando alguém passa dezoito horas seguidas sem dormir, perde cerca de 30% da capacidade de resolver problemas que exigem raciocínios complexos. Por essa razão, o melhor é fazer uma pausa noturna e só retomar os estudos pela manhã. A pesquisa revela que o desempenho intelectual melhora depois disso.

Problema: perda da capacidade de memória.
Quando é mais frequente: a partir dos 60 anos.
Como o sono pode ajudar: uma das causas para a redução da memória nessa faixa etária é que o sono se torna mais leve e a fase REM - justamente durante a qual se consolida a memória de longo prazo - passa a durar 50% menos tempo. A saída, dizem os cientistas, é esticar o número de horas na cama. Aos 60 anos, as pessoas dormem, em média, cinco horas. O ideal para a memória seriam pelo menos oito.

Ponteiros trocados


Especialistas esclarecem por que certos hábitos noturnos podem interferir no aprendizado em três situações:

1) Acordar ao meio-dia: As pesquisas mostram que o melhor sono é até as 8 horas, quando fatores como a temperatura mais baixa do corpo e a menor luminosidade contribuem para o descanso. O desajuste nos ponteiros ainda encurta os períodos mais favoráveis do dia ao aprendizado.

2) Dormir menos de oito horas: Não são todas as pessoas que precisam dormir oito horas seguidas, mas essa é a média de tempo que 90% delas levam para passar por cinco ciclos completos de sono - o que é o ideal. Depois da conclusão de cada ciclo, são dois os efeitos positivos ao aprendizado: o descanso da mente e a consolidação da memória.

3) Trocar a noite pelo dia: O sono diurno não é tão benéfico quanto o noturno. À noite, a produção de hormônios fundamentais à realização de funções vitais é mais intensa e os períodos de sono REM são mais longos. Como é justamente nessa fase do sono que ocorre o processo de consolidação da memória, é melhor dormir à noite.


Conclusão

Durma bem! Durma o necessário!

Medicina - "caso de humor" para meditação dos médicos

CASO VERÍDICO: "PODE ME DAR NOTÍCIA DO CELSO?"

- Bom-dia, é da recepção? Eu gostaria de falar com alguém que me desse informações sobre um paciente. Queria saber se certa pessoa está melhor ou piorou...
- Qual e o nome do paciente?
- Chama-se Celso e está no quarto 302.
- Um momentinho, vou transferir a ligação para o setor de enfermagem...
- Bom-dia, sou a enfermeira Lourdes. O que deseja?
- Gostaria de saber as condições clínicas do paciente Celso do quarto 302, por favor!
- Um minuto, vou localizar o médico de plantão.
- Aqui é o Dr. Carlos plantonista. Em que posso ajudar?
- Olá, doutor. Precisaria que alguém me informasse sobre a saúde do Celso que está internado há três semanas no quarto 302.
- Ok, meu senhor, vou consultar o prontuário do paciente... Um instante só! Hummm! Aqui está: ele se alimentou bem hoje, a pressão arterial epulso estão estáveis, responde bem à medicação prescrita e vai ser retirado do monitor cardíaco até amanhã. Continuando bem, o médico responsável assinará alta em três dias.
- Ahhhh, Graças a Deus! São notícias maravilhosas! Que alegria!
- Pelo seu entusiasmo, deve ser alguém muito próximo, certamente da família!?
- Não, sou o próprio Celso telefonando aqui do 302! É que todo mundo entra e sai desta m... deste quarto e ninguém me diz p... nenhuma. Eu só queria saber como estou.....
(fonte : Folha de São Paulo)

29/06/2009

Cota de Discórdia


Introdução

A questão das cotas raciais e sociais em universidades públicas está criando um impasse indesejável. Depois de conceder liminar suspendendo o benefício no estado do Rio de Janeiro, a Justiça decidiu, de forma ponderada, que ele está valendo para o próximo vestibular. No entanto, enquanto não houver decisão final, ele fica suspenso nos seguintes.

Ou seja, por enquanto, a indecisão persiste. Isso é o pior que pode acontecer para os alunos e para as instituições, que, sem saber como será a divisão de vagas para os próximos anos, ficam impossibilitadas de fazer seu planejamento acadêmico. Aliás, no meio universitário, principalmente, pensar a médio e longo prazos é fundamental.

A concessão de cotas a segmentos da sociedade considerados injustiçados será sempre polêmica. Dos dois lados, contra e a favor, há argumentos sólidos a justificar a opção.

Objetivo

Existe uma grande parte da população no Brasil a favor das cotas. Elas seriam o melhor remédio para compensar as desigualdades sociais. Surgiram para abrir as portas das universidades a jovens negros.

É solução curiosa: pula por cima do problema real das deficiências do sistema público de ensino básico e procura compensá-las abrindo as portas do ensino superior para o grupo mais numeroso das vítimas dessas deficiências. Concentrar esforços na melhoria do sistema, nem pensar: dá muito trabalho, demora muito.

Assim, desde que o sistema foi instituído, não se tem notícia de qualquer campanha ou ação oficial para melhorar as escolas públicas municipais e estaduais. As cotas resolvem aparentemente o problema; melhor, ignoram que ele exista. E parece haver, entre alguns políticos, educadores e cientistas sociais, uma aprovação em favor dessa solução preguiçosa.

Na verdade, é preciso reconhecer que a ideia das cotas tem o encanto da simplicidade e da rapidez. Dispensa qualquer preocupação séria e de longo prazo com a qualidade do ensino médio. Basta abrir as portas das universidades para mais candidatos. Não apenas pelo critério da cor da pele. No Rio, já há cotas para pessoas com deficiências físicas, para filhos de policiais e bombeiros. É muito mais fácil escancarar as portas do ensino superior do que oferecer à população um ensino médio gratuito e de boa qualidade.

Questão Racial

Em tese, as cotas surgiram como uma tentativa de corrigir uma injustiça histórica – o desfavorecimento a negros e índios –, em meio a um sistema de educação pública de má qualidade. A Comissão de Constituição e Justiça do Senado deve votar um projeto que propõe expandir esse sistema e criar reservas de vagas com critérios raciais e socioeconômicos nas universidades federais.

Discutida como uma questão educacional, a instituição das cotas esconde seu real alcance para o país. Não se trata apenas de reparar injustiças contra estudantes negros ou índios. Se for aprovado na comissão e no plenário do Senado, o projeto criará a primeira lei racial do Brasil em 120 anos de história republicana. “A criação de cotas raciais não vai gerar problema para a universidade, mas para o país”, afirma o geógrafo Demétrio Magnoli. Ele participa das discussões no Senado e escreve um livro sobre a questão racial. “A partir do momento em que o Estado cria a raça, passa a existir também o racismo.”.

Por outro lado, o principal argumento dos militantes que fazem lobby pela aprovação das cotas raciais é o de que a herança da escravidão precisa ser reparada. Os negros brasileiros de hoje seriam descendentes dos escravos e, por isso, estariam muito atrás na corrida pelas oportunidades do mercado de trabalho. “As cotas têm de ser criadas porque os negros foram injustiçados”, diz Frei David Raimundo dos Santos, da ONG Educafro, um dos mais ativos militantes pró-cotas. “Por causa dessa herança, até hoje quem vai à universidade é a classe média branca, não a população negra.”

Acho interessante passar o testemunho do advogado José Roberto Militão, militante há 30 anos do movimento negro, contrário à instituição das cotas.

Militão faz parte da parcela cada vez mais relevante de ativistas do movimento negro que não quer a instituição das cotas raciais. “O Brasil nunca teve orgulho racial, nunca foi dividido. Os Estados Unidos sempre foram assim. O movimento negro vê isso como um dado negativo, mas é positivo”, afirma. Entre os censos de 1940 e 2000, o número de brasileiros que se declaram pardos cresceu de cerca de 20% para os 42% atuais. Isso mostra que os brasileiros não têm o sentimento de identidade racial. Ele teme que a criação das cotas coloque esse sentimento de mestiçagem a perder e gere conflitos raciais. “Aprovar um projeto de cotas raciais é ir na contramão”, afirma Militão. “O excluído pela cota vai debitar isso na conta do negro.” Esses excluídos formariam, portanto, um caldo de cultura para o racismo.

Alternativa

Diante do fato de ser pouco provável haver um consenso possível diante desse impasse, que não interessa a ninguém e cria a constante instabilidade de um recurso à Justiça mudar as regras do jogo, é preciso que o poder público tome atitudes. Uma delas poderia ser promover amplo debate nacional sobre o tema e, quem sabe, decidir a questão em referendo.

A eleição geral de 2010 poderia ser oportunidade de os brasileiros afirmarem se querem ou não que vagas nas universidades públicas sejam reservadas para grupos. Seria uma decisão soberana da sociedade e em relação à qual não caberiam mais recursos.

Com isso, chegaríamos a um modelo de ocupação das vagas na universidade e escolas públicas. Ele, certamente, não mudaria a opinião de quem é contra ou a favor, mas permitiria adotar a forma escolhida pela maioria. É assim que se faz na democracia.

Conclusão

No meu ponto de vista, criar atalhos para alunos entrarem no ensino superior é uma medida paliativa. A origem do problema da educação brasileira é a péssima qualidade do ensino público e a distância entre seus alunos e os que frequentam a rede privada. De acordo com o Índice de Desenvolvimento da Educação (Ideb), que avalia o desempenho dos alunos em língua portuguesa e matemática e sua aprovação, as escolas particulares estão em média 2 pontos na frente das públicas, numa escala de 0 a 10. A distância só aumenta com o avançar das séries. Em 2007, 90% dos alunos do 3º ano do ensino médio da rede pública não haviam aprendido o conteúdo esperado. A doença da educação ruim não será resolvida com mudanças no vestibular, menos ainda com a adoção das cotas. Mas há um grande risco de a adoção das cotas trazer uma doença capaz de rachar a sociedade brasileira - o racismo explícito na lei.

Propagandas Insólitas



















28/06/2009

O ídolo

O dicionário Houaiss nos traz o seguinte de ídolo:

“pessoa intensamente admirada, que é objeto de veneração”

Logo que aparece um talento esportivo, os jornais se empenham em transformá-lo num ídolo, publicando diariamente reportagens que, como já vimos, tratam não apenas de seu desempenho nas competições, mas falam também sobre a sua vida privada, as/os seus/suas namorados/as, seu corte de cabelo, a marca de seu carro, suas roupas, seu lazer.

O verdadeiro ídolo

Hoje, em dia, vulgarizou-se a concepção do ídolo no esporte. Chama-se de ídolo de um time, de uma torcida aquele jogador que se destaca dos demais devido ao seu talento.

Jogadores como Edmundo, Romário, Adriano, Ronaldinho Gaúcho, Ronaldo e muitos outros são proclamados na mídia como ídolos de suas torcidas por terem um talento excepcional. Mas serão eles ídolos?

No meu ponto de vista, de forma alguma. Ídolo é aquela pessoa com grande talento, capaz de servir de exemplo a todas as gerações (principalmente para as crianças). Profissional capaz de passar valores morais e éticos, cumpridor de todas suas obrigações, e que se destaca dos outros companheiros por treinar e se aperfeiçoar bem mais que todos os outros.

Como podemos chamar de ídolo um jogador que dirigindo em alta velocidade e com suspeita de ingestão bebida alcóolica produz um acidente com vítimas fatais? Um jogador que não treina, não faz suas obrigações profissionais baseado no fato de ter um enorme talento? Um jogador que além de se meter em confusões na noite, ainda fez propaganda de cerveja, mesmo estando ligado ao esporte?

Devemos sim valorizar jogadores como Oscar, Hortência, Zico e outros. Esses atletas sempre se destacam por seu talento, pelo cumprimento de suas obrigações profissionais e pelo trabalho dentro e fora de campo com o objetivo de serem os melhores em suas profissões.

“O futebol tem seus direitos e deveres, como qualquer carreira. O importante é saber o que você representa, o que é um grupo. Penso que ninguém deve ter privilégios. Todos têm os seus direitos. A diferença é no seu salário em função do seu trabalho, rendimento.”

Essas foram as palavras que Zico me disse quando o questionei sobre o que era, na sua concepção, um verdadeiro ídolo.

O Custo de Oportunidade com a crise: o “sobe e desce” das Bolsas de Valores

Sinais da crise

A revista Cartacapital do mês de outubro de 2008 apresentou um cálculo interessante feito por um especialista: “se você tivesse investido R$ 1000,00 em janeiro de 2005 nos papéis da AIG, hoje teria R$ 59,00. Se você tivesse comprado R$ 1000,00 em latas de refrigerante, teria bebido bastante e, hoje, ao vender só as latinhas, conseguiria R$ 80,00.” Isso nos remete a uma importante reflexão sobre como aplicar o nosso dinheiro e abre uma discussão sobre o custo de oportunidade, “perdas e ganhos”, na crise mundial, ou seja, o que se perde quando se renuncia a uma oportunidade.

É importante observar que, nesse raciocínio, aparecem elementos como a análise de conjuntura, o risco da aplicação e o tempo de abdicação do consumo, mesmo tendo os R$ 1000,00 preparados para serem gastos.

Exemplo prático, para facilitar o entendimento, analisando o valor de um aluguel.

Um imóvel custa R$ 100.000,00 e o valor do aluguel desse mesmo imóvel é R$ 700,00. Se, em vez de comprar o imóvel, você investe o capital em um fundo de renda fixa, por exemplo, que lhe dará um retorno de 1% (R$ 1000,00), você tem um baixo custo de oportunidade, visto que a decisão de comprar o apartamento (nesse caso) seria pior, FINANCEIRAMENTE falando.

O custo de oportunidade de um capital aplicado em um negócio é o valor que ele geraria em termos de remuneração em outra aplicação.

Analisemos a situação da Bolsa de Valores...

Como funciona o cenário da Bolsa?

Há muito tempo, no Brasil, poupar era sinônimo de abrir uma poupança e depositar nela as possíveis sobras da receita doméstica. Uma atitude muito comum era guardar dinheiro para aquisição de um bem no futuro. A oferta de produtos não era tão grande, assim como os mecanismos de crédito. Com o processo de globalização da economia, novas formas de investimento foram se popularizando, entre elas a compra de ações.

De forma simplificada, a bolsa de valores representa as expectativas futuras do lucro de uma empresa, de forma que os portadores de suas ações ganham parte proporcional de lucro, quando a empresa vai bem, e perdem, caso contrário.

No entanto, a crise econômica nos faz observar outros fatores, além do desempenho da empresa responsável pelo valor da ação.


Exemplo: a Petrobras encontra-se num instante promissor, pela possibilidade da exploração do petróleo situado na camada pré-sal. Mesmo assim, percebe-se uma grande desvalorização do preço de suas ações. Por quê?

Além da depreciação do valor do barril do petróleo, inclusive pela diminuição da capacidade produtiva e de consumo, a empresa necessita de recursos, e é isso que, no momento, está faltando: dinheiro.

Isso acontece porque a crise econômica é também uma crise de confiança. A quebra de bancos, por exemplo, gera um grau de incerteza no mercado que faz com que a circulação de dinheiro diminua. Quem tem não empresta, e só o faz sob condições de elevadas taxas de juros.

Projetos novos e rolagem de dívida tornaram-se difíceis para as empresas, o que deixa seu futuro incerto e, portanto, faz cair o valor das ações.

Observação: em economia, rolagem de dívida é um termo relacionado com o ato de “rolar” uma dívida, adiando o seu pagamento. Consiste na troca de títulos vencidos de uma dívida velha por títulos a vencer no futuro, que passam a construir uma dívida nova.

Como analisamos o Custo de Oportunidade?

Temos de comparar valores reais disponíveis em tempos diferentes. Para isso, em matemática financeira, aplicamos os conceitos de valor presente (VP) e valor futuro (VF), através da expressão:

VF = VP (1 + i)n, onde “i” é a taxa aplicada no referido tempo “n” (juros compostos).

Exemplo:

Calcular o investimento necessário para se produzir um montante de R$ 23000,00, a uma taxa de juros de 18,2% a.a. (ao ano), daqui a 288 dias. Considerar o ano comercial.


Utilizando esse conceito, podemos calcular valores de resgate de investimento (valor futuro), prestações de um financiamento, valor de quitação de uma dívida parcelada etc.

Abaixo, apresentaremos várias situações do nosso cotidiano. São problemas que podem ser resolvidos com o uso da fórmula acima, ou outras, com uma calculadora financeira ou científica.

1) Determine o valor de resgate de um investimento de R$ 15000,00, aplicado a uma taxa de juros de 1,8% a.m. (ao mês), por um prazo de quatro semestres.
Importante: tempo e taxa devem estar na mesma unidade.

Resposta: Depois de 4 semestres você terá R$ 23016,43.

2) Um estudante comprou um carro por R$ 20000,00, sendo R$ 5000,00 de entrada e mais 15 parcelas mensais “sem juros” de R$ 1000,00, vencendo a primeira parcela um mês após a compra. Determine a taxa mensal de juros implícita do financiamento, sabendo que o estudante poderia ter adquirido o veículo com um desconto de 10% para pagamento à vista.


Resposta: A taxa de juros foi de 1,84% a.m.


3) Um pai, interessado em fazer uma poupança para seu filho, resolveu depositar mensalmente R$ 1.000,00, durante 18 anos, com o primeiro depósito sendo efetuado daqui a 1 mês. Determinar o montante disponível para o filho, ao final do período, sabendo que a taxa de juros é de 1% a.m.

Resposta: Ao final dos 18 anos o filho terá R$ 757860,63 disponíveis na poupança.

02/06/2009

O Vestibular do MEC


Entendendo a polêmica

Nesses últimos meses, o que mais tem se ouvido é que o vestibular vai acabar.

No meu ponto de vista, acho inviável que isso ocorra. É preciso entender que quanto mais avançado o país, mais competitivo é o acesso às boas escolas, pois passam a ser mais decisivas no futuro do candidato. Na passagem do ensino médio para o universitário, há um “gargalo”, mesmo nos países mais ricos. Como há mais candidatos do que vagas, como decidir? Provas ou sorteios? Melhor escolher os alunos mais bem preparados.

Com isso, não há o “fim do vestibular” por uma razão - o total de vagas nas escolas superiores oficiais é, em média, 7 vezes inferior ao total de candidatos.

Vejamos como essa passagem é feita em outros países:

Japão - Enorme concorrência para entrar nas melhores escolas. Todos fazem curso, desde o jardim de infância.

Coréia - Os pais gastam tanto nos cursos quanto o estado em educação pública.

Estados Unidos - Em cada estado há instituições públicas obrigadas a aceitar qualquer aluno. Contudo, no topo da pirâmide, nas melhores universidades, a competição é elevadíssima, mais árdua que no Brasil. Logo, mais vagas não resultam na eliminação de concorrência.

A avaliação americana, em linhas gerais, é um teste composto por questões de múltipla escolha e dissertativas, dividido em três seções: leitura crítica, matemática e redação. Cada seção tem uma escala de pontuação de 200 a 800.

Há ainda, os SAT Subject Tests, que avaliam o conhecimento do estudante em relação a uma determinada disciplina acadêmica (existem 20, no total, como francês, química e história geral). A prova é tão importante por lá que virou até tema de filme, em 2004. Em “The perfect score”, estudantes tentam roubar as questões do exame.

O SAT é aplicado sete vezes por ano. Além disso, a nota nessa avaliação é apenas uma entre as muitas informações que os “colleges” e universidades levam em conta na hora de selecionar os candidatos. Há uma análise de outras informações, como atividades acadêmicas realizadas pelo aluno, cartas de recomendação escritas por seus professores, histórico escolar etc.

França e Argentina - todos os que têm Ensino Médio entram na faculdade, mas, no primeiro ano, metade é incluída. Vejamos cada país de foram isolada:

• Argentina - Não há vestibular. Antes da universidade há um curso - o Ciclo Básico Comum - realizado dentro dos próprios colégios. Os mais bem avaliados têm preferência na opção pelas faculdades.

• França - Não há vestibular ou curso. Os alunos prestam um exame chamado Baccalauréat (Bac). Basta atingir a média exigida para garantir lugar na universidade.


A nova proposta do MEC

Na minha concepção, o vestibular não é um exame ruim. Os grandes concursos das melhores universidades do país se prestam bem à sua finalidade básica, a de colocar na sala de aula os alunos mais aptos.

A recente proposta do MEC, principalmente voltada às universidades federais, para unificar os exames vestibulares por meio de um novo exame geral, tem produzido reações confusas e mal-entendidos.

Os vestibulares, que envolvem mais de um milhão de pessoas no país a cada ano, com o poder de decidir quais serão escolhidos para ocupar um reduzido número de vagas nas universidades públicas, despertam sentimentos fortes. Tão fortes que acabam prejudicando a percepção de que um exame nacional unificado, como o proposto pelo MEC, ainda é um exame vestibular; por sinal, o maior de todos. Unificar os exames federais de forma alguma indicará o fim do vestibular.

A nova proposta é mudar o ENEM para utilizá-lo como vestibular nacional.

Essa proposta não põe nada de pernas para o ar. Trata-se de um grande vestibular com 180 questões e uma redação. A avaliação pretendida, sem dúvida, consolida o formato para o qual tem caminhado a aplicação dos grandes vestibulares - questões conceituais e contextualizadas. A única restrição que faço é a de não haver questões discursivas. Isso pode ser compensado usando-se o ENEM como prova de primeira fase das faculdades.

A pretensão da proposta é grande. Ela permitiria aos estudantes concorrer a qualquer vaga em universidades federais do país. E, certamente, estudantes de outros estados concorreriam às vagas do Rio de Janeiro. Entretanto, considerando apenas uma carreira, Medicina, que aqui tem alta concorrência, o movimento maior seria do Rio de Janeiro para fora - apenas por uma simples questão aritmética.

A prova deixará de exigir dos alunos quantidades colossais de informação para priorizar o raciocínio e a capacidade de solucionar problemas em quatro áreas do conhecimento. As linhas mestras já estão dadas, como explica Reynaldo Fernandes, presidente do Inep, órgão do ministério responsável pelo exame: “A prova ficará no meio do caminho entre o excesso de informações cobradas no vestibular e o pouco conteúdo do antigo Enem. Testará mais a capacidade de solucionar problemas da vida real do que o conhecimento acumulado”.


Uma possível conclusão crítica

O vestibular nada mais faz do que classificar os candidatos pelo seu conhecimento. Se a prova for fácil, difícil, discursiva ou de múltipla escolha, não terá muita importância, pois a concorrência é que tornará difícil a entrada. Sobrando vagas, todos vão entrar.

No fundo, o grande lema é um só: as sociedades modernas premiam cada vez mais a qualidade da educação recebida, tornando mais competitiva a entrada no Curso Superior e requerendo mais esforço dos alunos que disputam vagas nas melhores faculdades.

É necessário relembrar, porém, que nem tudo são desenhos e lápis de cor. Há uma série de questões e fatores políticos envolvidos na escolha entre um modelo e outro. No entanto, na atual conjuntura mundial (não apenas nacional), qual processo não apresenta pilares políticos, econômicos ou sociais?

Ademais, o aluno que estava preparado para o antigo modelo, também estará para o novo. O conteúdo programático vai permanecer basicamente o mesmo, nenhuma grande nova matéria vai ser adicionada às questões. Portanto, é apenas uma nova maneira de aplicar tudo aquilo que foi estudado e compreendido, ao longo das aulas e provas.

Há de se frisar, enfim, que há tempo para adaptação ao novo modelo e que não há melhorias ou novos defeitos. Há, na verdade, diferenças entre os modelos. As novas vidas são baseadas em mudanças, muito mais frequentes do que, por vezes, podemos notar. Essa é mais uma, que devemos entender e a que devemos nos adaptar. Ao clichê “vivendo e aprendendo”, podemos adicionar, então, um vivendo, se adequando e, assim, aprendendo.
Rui Alves Gomes de Sá

Moralidade x Legalidade



No último mês de abril, veio à tona mais um caso de uso indevido do dinheiro público pelos nossos parlamentares: “o caso das passagens aéreas”:

Mais da metade dos deputados usou passagens aéreas da Câmara para fazer turismo no exterior com namoradas, filhos e amigos.

Pelas regras, os parlamentares têm direito a uma cota de passagens aéreas que pode chegar a dezoito mil reais por mês. Esse benefício foi criado para permitir a possibilidade de volta para casa toda semana. A grande maioria não usa todo o dinheiro e, em vez de devolver o valor não utilizado, usa essa sobra para crédito de bilhetes para o exterior.

Ao serem indagados sobre essa postura, vários disseram que não estavam fazendo nada de errado por não ter um “regulamento da casa” explicitando estarem cometendo um erro.

Estamos assim diante do conceito da ética confrontado com o da legalidade.



Antes de tentarmos entender como esses dois aspectos se relacionam, é necessário que tenhamos certeza do que os dois significam. Mesmo sendo dois termos abstratos, moral seria “conjunto de regras de conduta consideradas como válidas, éticas, quer de modo absoluto para qualquer tempo ou lugar, quer para grupos ou pessoa determinada”, conceito extraído do dicionário Aurélio. Já legalidade seria um conjunto de condutas aceitáveis e permissíveis, de acordo com a legislação vigente no país. Mesmo que o assunto possa soar um tanto massacrante, é interessante esclarecer tal diferença e ver quais são as semelhanças, para futuras situações da vida cotidiana; até porque nunca se sabe quando determinados conhecimentos serão necessários.

Afinal, como esses dois termos se relacionam? É importante afirmar, primeiramente, que eles não têm o mesmo significado, mesmo que muitos possam pensar dessa forma. No conceito de moral, não há um conjunto definido e documentado de regras a serem seguidas. Na verdade, podemos dizer que a legislação que rege esse campo está presente na própria mentalidade de um povo, em um determinado local e de uma época específica, podendo, portanto, variar, no tempo e no espaço. Já o termo legalidade assume uma acepção um tanto quanto mais rígida e atemporal, levando em consideração o que seria muito tempo de diferença, em critérios históricos. É regida por uma documentação legislativa, inclusive.

Diante disso, temos que muitas situações envolvem posturas imorais, mas não ilegais. Em muitos casos, é possível fazer uso da lei para benefício próprio, por exemplo. Mesmo estando de acordo com a legalidade, não estamos de acordo com a moral, que, por ser também flexível, é deturpada, em muitos casos.
No caso dos políticos, qualquer pessoa com um mínimo de dignidade e de boa-fé tem noção de que verbas públicas não podem ser usadas para fins privados.

Esse é apenas um caso. A mídia já relatou vários outros: pagamento de contas de telefones celulares dos filhos, abrigo de parentes e empregados domésticos, contratação de “fantasmas” como empregados.


ricbrsp.spaces.live.com

Desvios éticos, como no caso das passagens, e reações intempestivas e tolas de alguns parlamentares produzem, em alguns setores, péssimas reações contra a democracia, como a defesa do fechamento do Congresso. A ausência do Congresso leva obrigatoriamente a um regime autoritário e autocrático.

O que devemos fazer? Continuar na busca por pessoas corretas, éticas e íntegras para o nosso Congresso. O voto tem de ser a nossa resposta!



ricbrsp.spaces.live.com

Rui Alves Gomes de Sá

O Profissionalismo do Jogador Brasileiro


Com a chegada do jogador Adriano ao Flamengo, depois de uma saída conturbada do Inter de Milão, aumentou-se o questionamento sobre o profissionalismo do jogador brasileiro.

Adriano recebia seus altos salários sempre em dia, tinha ótima infra-estrutura no seu clube e a enorme perspectiva de continuar a ser convocado para a seleção brasileira. E o que aconteceu? Alegando problemas existenciais (ele dizia não ser feliz), forçou sua saída do time italiano com o intuito de poder resolver sua vida. Logo depois, acertava seu contrato com o Flamengo.

Há pouquíssimo tempo, esse jogador foi considerado suspeito por frequentar churrascos e festas com traficantes, bandidos procurados pela polícia, com quem ele compartilhou uma infância pobre na Vila Cruzeiro. Esse jogador é exatamente o mesmo que viajou com a seleção brasileira e depois sumiu sem avisar ao seu clube, instituição que lhe pagava – em dia – os salários. Além disso, esse próprio jogador, depois de diversas especulações sobre seu sumiço – como overdose e Aids (dentre ouros boatos) – foi responsável por uma festança com prostitutas e até travestis. Ele é, ironicamente, a representação das esperanças de uma torcida, que, alheia a qualquer questão moral que o envolva, também prefere esquecer tudo de ruim que lhe faça referência.

Torcida e mídia pouco falam sobre esse mau comportamento. Ronaldo, em entrevista à TV Globo, corrobora essa atitude e diz que eles, os jogadores, devem ser cobrados apenas pelo que fazem em campo. Nesse momento, parece que o importante é valorizar a permanência dele no Rio de Janeiro.

Situações como a do Adriano, que simbolizam a falta de profissionalismo e de cumprimento dos deveres, repetem-se com vários outros jogadores brasileiros (como Robinho, Ronaldinho Gaúcho etc). Isso só prejudica a imagem do Brasil, cujo povo, em sua maioria, é muito trabalhador.

É muito importante não deixarmos a paixão pelo futebol nos tornar cegos para atitudes tão erradas.

Rui Alves Gomes de Sá

Seção do Humor

1) O Casamento

“Recentemente, foi realizado um casamento no interior do Rio Grande do Sul. O nome do noivo era José da Silva Brochado. Já a noiva se chamava Lúcia de Souza Pinto. No final das contas, resolveram que ela continuaria a usar o nome de solteira...”
(Fonte: Jornal “Zero Hora” – RS)


2) Os Cabelos Brancos


Um dia, uma menina estava sentada olhando a mãe lavar a louça na cozinha. De repente, percebeu que ela tinha vários cabelos brancos que apareciam no meio do cabelo escuro e perguntou:
- Por que você tem tantos cabelos brancos, mamãe?
A mãe respondeu:
- Bom, cada vez que você faz algo ruim e me faz chorar, ou me deixa triste, nasce um cabelo branco em mim.
A menina ficou pensando sobre o que a mãe falou por alguns instantes e logo disse:
- Mãe, por que todos os cabelos de minha avó estão brancos?
(Fonte: Jornal “Extra” – RJ)

3) Obina


Por que o jogador OBINA voou para São Paulo de TAM?

Porque, se ele fosse de GOL, perdia...




Rui Alves Gomes de Sá

Caderneta de Poupança

As novas regras da poupança

Com a taxa básica de juros Selic em queda, a poupança - o investimento mais simples e popular do Brasil, que é isento de tributos e tem rendimento fixado em lei - está prestes a se tornar uma das mais rentáveis aplicações do país. Isso poderá provocar desequilíbrios profundos no mercado, que vão desde a dificuldade de a União se financiar até possíveis prejuízos aos bancos.

Além da resistência natural a mudanças numa instituição de 148 anos, a sociedade ainda tem vivo na memória o confisco do governo Collor. Como a alteração da forma de remuneração terá que ser aprovada pelo Congresso Nacional, o governo federal terá que ser exímio jogador, se quiser levar adiante a proposta.

A poupança, por lei, tem que render ao menos 0,5% ao mês, o equivalente a 6,17%, ao ano, mais um indexador, a Taxa Referencial (TR), que fechou 2008 a 1,63% e que este ano deve ficar abaixo de 1%. Os fundos de investimento, em geral, compram títulos públicos, que têm alto giro e remuneração elevada. O balizador deste mercado de título, grosso modo, é a Selic, hoje a 11,25% ao ano.

Um aplicador de fundo de investimento com menos de R$ 20 mil dificilmente receberá este percentual cheio, pois seu poder de negociação com o banco é pequeno.

Além disso, ele terá de descontar 2%, em média, de taxa de administração e recolher no mínimo 20% a título de Imposto de Renda. Ou seja, o ganho da sua aplicação ficará praticamente empatado com o da poupança - que, além de isenta de tudo o que ele paga no fundo, honra depósito de até R$ 60 mil.


As consequências das novas regras

Cerca de 80% das carteiras dos fundos estão aplicadas em papéis do governo. A migração trará, portanto, consequência para o financiamento da dívida pública, que é rolada com a emissão de títulos: com a poupança rendendo mais, esses aplicadores vão se desfazer dessas operações, obrigando o administrador do fundo (o banco) a vender os títulos do governo para pagar o cliente. Isso não interessa ao Tesouro Nacional, que passaria a ter dificuldades para rolar a dívida pública, que supera R$ 1 trilhão.

O restante das carteiras é composto por aplicações em títulos privados (debêntures e Certificado de Depósitos Bancários-CDBs), comercializados por agentes financeiros para buscar recursos para emprestar às pessoas físicas e às empresas.

A poupança faz parte do Sistema Financeiro de Habitação (SFH): os bancos pagam 6,17% aos poupadores e cobram 12% nos contratos imobiliários.

Por isso, não interessa a ninguém que a poupança renda mais que fundos. Por mais que doa, o governo não tem alternativa a não ser reduzir os rendimentos dos poupadores.

Veja uma matéria do Jornal Hoje, explicando as novas medidas:

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Segue, abaixo, um resumo das mudanças propostas pelo governo que ainda serão analisadas pelo Congresso Nacional:

- A partir de 2010, os poupadores que tiverem mais de R$ 50 mil aplicados em poupança deverão pagar Imposto de Renda sobre parte do rendimento obtido com a aplicação. Se a medida fosse aplicada este ano, aproximadamente 895 mil poupadores estariam sujeitos à tributação. Ao todo, existem cerca de 90 milhões de cadernetas de poupança no Brasil. Poupadores com aplicação inferior a R$ 50 mil não pagarão impostos sobre o valor. Também estarão isentos da nova taxação os rendimentos de poupanças acima de R$ 50 mil de poupadores que têm a caderneta como única fonte de renda.

- O montante do rendimento sobre o qual irá incidir o IR varia de acordo com a oscilação da taxa de juros básica, a Selic. Com Selic no patamar de 10% a 10,5%, haverá tributação sobre 20% do rendimento. Com Selic entre 10% e 8,75%, o imposto incide sobre 30% do rendimento. Com Selic entre 8,75% e 8,25%, haverá tributação sobre 40% do rendimento; 60% para Selic entre 8,25% e 7,75%; 80% para taxa de juros entre 7,75% e 7,25%; e 100% dos rendimentos serão tributados com Selic abaixo de 7,25%.
- A taxa a ser considerada é a praticada nos últimos dias do segundo mês anterior ao da tributação. Ou seja, a taxa Selic a ser considerada para tributar os rendimentos da poupança em fevereiro de 2010 será a do final de dezembro de 2009. Desta forma, o investidor poderá avaliar previamente as vantagens de manter o dinheiro na poupança.

- A alíquota a ser aplicada varia de acordo com a tabela tradicional do Imposto de Renda, que em 2010, deverá incidir sobre valores de rendimentos tributáveis acima de R$ 1.499,15. Hoje, a alíquota varia entre 7,5% e 27,5%.

- A tributação será feita na declaração anual de ajuste do imposto de renda, com base na soma dos rendimentos tributáveis mensais do contribuinte. Não será necessário que todos os titulares de cadernetas de poupança apresentem a declaração de ajuste. Apenas aqueles cuja soma dos rendimentos tributáveis (que, além dos rendimentos da poupança, inclui aluguéis, salários e pensões, por exemplo) ultrapasse R$ 17.989,80 no ano.

Rui Alves Gomes de Sá


15/03/2009

A Crise Financeira Mundial

Texto publicado na página do pH na internet em 21/10/2008:


http://www.curtosoulongos.blogspot.com/

No último mês, um furacão de potencial altamente destruidor atingiu o centro dos EUA e espalhou seus estragos pelos quatro cantos do mundo. O nome da tormenta: crise financeira. Bolsas asiáticas vivenciaram quedas históricas, o mercado financeiro entrou em curto, a Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) pegou carona na tempestade e chegou a suspender as operações por meia hora, para conter a avalanche de perdas. Os bancos perderam não só crédito e reservas, mas também prestígio; a desconfiança é generalizada. Como no final dos anos 20 do século passado, os EUA estão no olho do furacão. Só que agora, devido à globalização, o simples chamuscar da maior potência do mundo acaba lançando faísca em todos os outros países.


Há quem diga que estamos vivendo uma nova - e bem mais alarmante - 'Crise de 29'; há quem fale em fim do 'império' americano; alarmistas evocam até o 'Juízo Final', o 'Apocalipse'. Para, afinal, entender o que é e como está se desenvolvendo a tormenta da crise financeira mundial, nosso Diretor de Ensino e professor de Física Rui Alves Gomes de Sá esclarece o 'economês' que tem dominado os meios de comunicação.


Como começou?

Em economia, dizemos que todas as crises financeiras são precedidas por bolhas. A dessa crise financeira foi uma bolha de crédito. Em 2001, o Federal Reserve, o Banco Central Americano, diminuiu a taxa de juros de 6% ao ano para 1% ao ano, com o objetivo de estimular a economia americana. Esse dinheiro fácil inundou o mercado, dobrou o valor das residências e estimulou as empresas a empréstimos sem créditos e garantias. Por conta disso, as agências de hipoteca americanas (financiamentos imobiliários) passaram emprestar em demasia a pessoas que não tinham como pagar a dívida. Essa medida contava com apoio político, pois atingia camadas mais pobres e incentivava a “moradia popular”. Além disso, esses empréstimos eram vendidos com desconto a bancos e seguradoras. Com o aumento da taxa de juros para conter a inflação, as prestações aumentaram e a inadimplência se elevou bastante. Foi a famosa crise subprime (submerso).


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O que aconteceu?

Ela atingiu em cheio o coração do sistema financeiro, cada vez mais central no capitalismo. Sem o fluxo normal de crédito, a máquina da economia global ficou asfixiada. Em 2008, as conseqüências desta inadimplência surgiram, inicialmente envolvendo as agências hipotecárias, posteriormente os bancos que compraram papéis dessas agências (bancos de investimento)...

Em abril, o Federal Reserve (Fed), resolveu emprestar dinheiro para um dos mais tradicionais bancos de investimento da Wall Street (bolsa americana): o Bear & Stearns. O objetivo era evitar a quebra desse banco. Ele acabou sendo vendido ao J.P.Morgan por uma fração do seu valor.


Há alguns dias, o Federal Reserve também “salvou” e assumiu o controle de duas das maiores empresas que garantiam créditos imobiliários no país (Fannie Max e Freddie Max). Depois dessas ‘operações de emergência’, porém, iniciativas semelhantes não ajudaram a evitar a quebra de outro gigante dos bancos de investimento, o Lehman Brothers. Isso resultou na MAIOR FALÊNCIA da história dos Estados Unidos (US$ 600 bilhões em capital).


Foi o pânico! Para evitar o colapso total, o Fed foi obrigado a entrar em ação comprando a AIG seguradora (compra de US$ 85 bilhões). E por que a AIG quebrou? Ela oferecera US$ 430 bilhões numa espécie de seguro (credit default swaps – instrumento financeiro muito arriscado lançado pelos bancos americanos para se proteger da inadimplência) para instituições que tivessem para receber seus créditos imobiliários. Com a inadimplência, ficou evidente a busca para receber esse seguro e, com isso, a AIG não teve como pagar. Por último, uma das aplicações americanas de investimento mais seguras (fundo de poupança), definida como money market, anunciou que, pela primeira vez, pagaria a seus investidores menos do que eles haviam investido. Para se ter uma noção, esses fundos de poupança reúnem mais de US$ 3 trilhões de reservas dos americanos. Para se fazer uma analogia, seria como se a poupança no Brasil desse prejuízo.


Resumindo: o custo dos empréstimos entre os bancos cresceu 16 vezes nos últimos 18 meses, porque as instituições financeiras não confiam mais uma nas outras e preferem ter dinheiro em caixa. Se os bancos não emprestam dinheiro entre si, também não emprestam para as indústrias, para os serviços e para as pessoas (consumidores). Até que a crise financeira acabe, a economia global não vai se recuperar. Setores considerados motores da economia, como a construção civil e o setor automobilístico, dependem de crédito e atravessam forte desaceleração. Como os Estados Unidos são a maior economia do mundo, a diminuição do consumo de sua população provocará queda nas importações provenientes de países como China, Índia e Brasil.


Como está se resolvendo?

A solução imediata para tentar controlar o incêndio foi lançar um pacote americano para tirar do mercado os papéis sem lastro que contaminam os balanços das empresas financeiras e paralisam o crédito. Esse pacote custará “centenas de bilhões de dólares” ao contribuinte americano.


O objetivo principal nessa situação precisa ser a passagem de confiança ao mercado. Se o pacote americano tiver sucesso, permitirá que a economia volte a respirar e a caminhar. Posteriormente, o governo e as empresas terão de se moldar à nova situação, com padrões mais limitados de financiamento. O sistema terá de excluir suas dívidas e papéis ruins. Todos esses fatores terão de ser acompanhados de perto pelos governantes.

Além disso, pela primeira vez, de forma coordenada, os quinze países da zona do euro, incluindo as duas maiores potências econômicas do bloco - Alemanha e França - lançaram em Paris um pacote de medidas para enfrentar a crise financeira global. Eles vão comprar participações em bancos. Haverá a compra de papéis da dívida e garantia dos empréstimos entre bancos até 31 de dezembro de 2009, praticamente paralisados com a crise de crédito, para
assegurar capital e liquidez às instituições financeiras. Outra decisão importante: nenhum país deixará seus grandes bancos falirem.


Como está o efeito no Brasil?

Nos últimos anos, a economia do Brasil tem se solidificado muito, favorecida pelo forte crescimento do setor econômico mundial. É lógico que, piorando o quadro da economia mundial, a situação por aqui vai piorar também.

A maior parte da expansão do PIB (Produto Interno Bruto) vem do mercado interno. Somente cerca de 15% vêm das exportações, área mais afetada pela crise.

No início, os problemas estavam ligados apenas às bolsas (campo financeiro). Nas últimas semanas, a crise começou a contagiar o setor produtivo, atingindo as exportações e o crédito externo.

Para atenuar esse problema, o governo, por meio do Banco Central, injetou mais de R$ 36 bilhões na economia para ajudar bancos médios e pequenos que antes buscavam crédito barato no exterior.


Considerações finais


Para atravessar um período complicado como este, os especialistas recomendam que os orçamentos familiares sejam mais austeros, com decisões de consumo e de investimento bem pensadas. Segundo eles, é difícil prever por quanto tempo as incertezas vão se estender, mas com um bom planejamento será possível enfrentá-las com menos danos.

Algumas humildes observações:

Haverá aumento da inflação?


Os efeitos da crise sobre os preços são controversos. Produtos importados, como bebidas, alimentos, roupas e eletroeletrônicos, provavelmente sofrerão reajustes em função da alta do dólar. Já as mercadorias de fabricação nacional devem ter pouco ou nenhum aumento, porque o crédito ao consumidor está escasseando e a desaceleração da economia reduzirá a demanda. Com isso, provavelmente, o efeito de contaminação da inflação pela valorização do dólar será pequeno, devido ao desaquecimento, à política monetária previsível e à administração das expectativas pelo Banco Central (monitoração da taxa de juros – SELIC).

Devo aplicar na BOLSA DE VALORES?


A forte depreciação do mercado acionário tornou muitas ações baratas, na avaliação dos analistas. Dessa forma, o mercado de ações pode ter boas oportunidades para serem garimpadas. O problema é que ninguém pode afirmar até quando a crise internacional seguirá afetando a Bolsa. Portanto, mais do que nunca, o investidor deve lembrar que investir em ações é arriscado. E que o retorno do investimento pode levar um tempo mais longo para se concretizar. Caso você tenha seu dinheiro aplicado na bolsa, o momento é de esquecê-lo e esperar a volta dos padrões normais das ações.


E a minha viagem de final de ano?


Neste momento de turbulência, ninguém se arrisca a fazer previsões para o dólar. Por isso, consultores aconselham o turista que estava planejando viagens internacionais a reavaliar a decisão. Se você quer viajar de qualquer forma e ainda não comprou a passagem, deve fazê-lo imediatamente. Segundo os economistas os preços de pacotes tendem a subir. Já a moeda para
gastos no destino pode ser comprada em pelo menos três parcelas, o que aumenta as chances de conseguir um preço mais razoável. Dívidas no cartão de crédito devem ser evitadas.

Por último, é importante reforçar que 'os bombeiros' já estão a postos e agora nos resta esperar que o fogo seja completamente apagado, avaliar os estragos e começar a reconstruir outras relações para o mercado financeiro e a economia globais.

Rui Alves Gomes de Sá